Uma conversa com: Crystal F / Ruffiction – Músicos e os seus ténis

Amadeus Thüner · 25.06.2018 · Atualizado a 17.03.2026 · interviews

Crystal F Everysize Interview 03 E1560978794918

Ténis e rap - uma história de amor para a vida. E também com o Crystal F dos Ruffiction esse amor se escreve com letra grande.

Crystal F entre o YouTube e o podcast

Entre a diversão no YouTube com a mulher Eda Vendetta e as gravações do seu próprio podcast "In der Umkleide", o Crystal F é sobretudo rapper e parte da crew berlinense Ruffiction. Estes entregaram recentemente mais uma tournée de sucesso para o seu álbum "Ausnahmezustand" e deixaram para trás várias salas de concerto reduzidas a escombros. É que o exército Ruffiction também é grande. Que ténis é que o músico simpático e criativo em várias frentes prefere calçar em palco, revelou-nos ele numa conversa recente.

Ainda te lembras dos teus primeiros ténis?
Quais foram os meus primeiros ténis já não sei mesmo. No início usei muitas marcas de skate, como por exemplo a Circa ou os pro-models do Chad Muska e do Tony Hawk. Depois muita porcaria. (ri-se) O primeiro sapato que realmente significou algo para mim e que despertou em mim o entusiasmo pelos ténis foram os Asics x Footpatrol Gel Saga. Foi o primeiro sapato que vi em fotos e pensei: tenho de o ter. Fui então com um amigo até ao camp-out em frente à Solebox, onde o pessoal já esperava desde quinta-feira. Mais tarde consegui comprá-los ao meu amigo Blood Spencore. Por 220 euros. Precisei de semanas para ultrapassar a barreira de os calçar. Hoje em dia qualquer Ultra Boost custa quase 200 euros.

"O hype da adidas estragou tudo"

Como é que aconteceu teres começado a ocupar-te de ténis? O que estava por trás disso para ti? E descrever-te-ias como "sneakerhead"?
A minha mulher Eda sempre foi entusiasta de ténis. A certa altura cresceu também em mim a vontade de ter mais sapatos. Comecei então por tentar comprar um par no início de cada mês. Do entusiasmo passou a um hobby forte. Acho que durante um tempo me ocupei mais de ténis do que de música. O que, no meu caso, quer dizer alguma coisa. Mas nunca gostei de rótulos. Acho que se pode gostar de ténis sem se ver a si próprio como sneakerhead, sneakerfreak ou o que quer que seja. Quando alguém se dedica muito a isso, a sua conta de Instagram é quase só fotos on feet e está o tempo todo à caça da próxima peça da coleção, então isso faz mesmo da maioria exatamente isso. Para mim, os camp-outs e o convívio em lojas como a Solebox ou a Overkill eram na verdade uma das coisas mais fixes. Tinha algo de uma comunidade unida. Toda a gente conhecia de alguma forma toda a gente e a maioria dos de fora achava-nos completamente malucos. Mas, na minha opinião, com as raffles dos Yeezy e o hype da adidas toda a cena foi desenraizada, de tal forma que todas as coisas que me davam prazer já não existem.

Ainda assim, referiste recentemente que a adidas te impressionou de forma duradoura noutra área.
A tecnologia Boost mudou mesmo tudo. Como durante muito tempo só usei Boost, a vontade de ter outros sapatos desceu a zero. Continuo a gostar muito da Asics e descobri também os Reebok Club-C, porque a certa altura também se quer desabituar o pé do Boost. Caso contrário, a partir de certa altura qualquer outro sapato parece uma pedra.

"Muitos podiam seguir o exemplo da Overkill"


Com que lançamento estás mais entusiasmado este ano?

Infelizmente já não tenho nada no radar. Quando dou por alguma coisa, é só quando a Overkill volta a entregar algo. O pessoal esforça-se sempre imenso com cada produto em que está o nome deles. Muitos outros deviam seguir esse exemplo. Desde a saída do Hikmet da Solebox também já não vem nada de jeito, para ser sincero...

Que 3 ténis usas atualmente com mais frequência?
Reebok Club C em branco, Yeezy 350 v2 Cream, Asics x Kith Gel Sight Pacific.

E que sapato funciona melhor para ti em palco?
Club C, Yeezy 350 Pirate Black e Ultra Boost em branco. Com esses deu para tocar as últimas duas tournées de forma ideal.

"Os meus ténis - inspirados em gatos"

Se pudesses desenhar os teus próprios ténis Ruffiction, que aspeto teriam?
Se se tratasse de um sapato Ruffiction, seria provavelmente preto, cinzento, vermelho. São cores recorrentes na história da nossa banda. Seja no merch, nas capas ou nos vídeos. Uns ténis do Hauke seriam provavelmente inspirados nos meus gatos. Mas a Eda já se me antecipou nisso, ao poder desenhar uns Birma Presto na Nike. (sorri)

photos: Crystal F

e

Amadeus Thüner

Amadeus trabalha em uma grande agência de PR e é apaixonado por tênis (sneakers) há muito tempo. Como redator freelancer, apresentador e autoproclamado “fuzzi da mídia”, ele também trabalha para diversas revistas ou plataformas, como a Tätowier Magazin, ou ainda para a Red Bull Music.