Uma palavra com: Willy Iffland – Jornalismo de sneakers 2018

Amadeus Thüner · 24.07.2018 · Atualizado a 28.02.2021 · interviews

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Já tivemos à conversa os bloggers do Sneakerzimmere o Holger, o redator-chefe da publicação impressa Sneakers Mag. Na terceira parte da nossa série "Uma palavra com" sobre o tema jornalismo de sneakers falamos agora com o influencer Willy Iffland.

Jornalismo de sneakers enquanto influencer - Willy

Willy Iffland, ainda sem 30 anos, vive há bastante tempo em Leipzig depois de uma curta passagem por Berlim, trata com a sua equipa do seu blog Dressed like Machines, mas deverá ser conhecido na cena local de sneakers e streetwear sobretudo pelos outfits e stylings que publica regularmente no Instagram. Nisso, o Willy recorre àquilo que está neste momento a viver um hype, provocando assim repetidamente atenção mediática. Até que ponto se colocaria a si próprio dentro do jornalismo de sneakers e quão real é afinal o hype, revelou-nos ele na conversa.

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Porquê sneakers? Porquê streetwear?

O meu irmão é seis anos mais velho do que eu e começou a jogar basquetebol logo aos 14, por isso entrei muito cedo naquilo e já aos 16 usava os meus primeiros Jordans, sem que tivesse noção da direção que tudo isto iria tomar. (sorri) A dada altura percebi que curtia aquelas coisas. Roupa, sapatos a condizer e aquela forma de combinar tudo de maneira harmoniosa. Depois, há quatro anos, comprei a minha Leica e comecei a fazer fotografias decentes, porque rapidamente se percebeu que as pessoas dão valor à qualidade das fotos. No fundo, foi então o meu irmão o meu grande impulsionador no que toca ao urbano e à moda. Hoje ele infelizmente já saiu disso, mas eu estou cada vez mais dentro. (ri-se)

Willy Iffland sobre si próprio: "Sou como sou"

O que é especialmente importante para ti quando falas sobre o tema? Porque achas que as pessoas veem as tuas fotos?

Acho que o mais importante para mim nas minhas fotos é que as pessoas percebam que não me finjo de nada. Sou como sou. Tatuado, atrapalhado. Ganho bem e posso permitir-me estas coisas. Claro que rapidamente também surge inveja, mas eu digo sempre às pessoas que a inveja não é o caminho. Porque, se for por aí, também eu posso ter inveja de mais 10.302.420 pessoas. Muitas pessoas reparam sempre em mim, e acho isso mesmo bonito, que praticamente em todas as fotos estou a sorrir, e avaliam isso de forma positiva, porque quase ninguém na cena faz isso. Também não percebo essas "poses com a mão à frente da cara", se depois na story a pessoa se mostra na mesma. Alguém que me explique o sentido disso. (ri-se)

Que meio na área do jornalismo de sneakers é atualmente o mais relevante para o teu trabalho e porquê?

Claramente o Instagram. O blog é tratado por uma equipa para mim, onde uma vez por dia numa reunião aprovo tudo ou não. De resto concentro-me a 1.000 % no Instagram. Vou tirar fotos todos os dias, edito-as, trabalho as captions e concretizo encomendas de clientes. Faço tudo isso no meu escritório em casa. Uma sala pequena com muitas possibilidades.

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Estava em todos os cartazes e supermente envergonhado

Com que área temática gostas mais de te ocupar?

Claramente sapatos. Acho também sempre fascinante quando falamos com pessoas que não têm absolutamente nada a ver com jornalismo de sneakers ou com ténis e depois se admiram como é possível ter tantos sapatos. Na minha terra natal a minha mãe conta isso a toda a gente e as pessoas ficam super fascinadas, e isso alegra-me mesmo, porque dentro da cena já não é nada de especial ter 200 pares de sapatos. Aí enche-se-me o coração, quando as pessoas me escrevem mensagens queridas, ficam mesmo contentes e conseguem enriquecer-se com o meu conteúdo.

O teu projeto preferido até hoje?

Aquela campanha da Axe de há dois anos, em que estive em cartazes por toda a Alemanha, Áustria e Suíça. Foi uma coisa fantástica, porque toda a gente me enviava fotos com o cartaz e eu ficava supermente envergonhado.

Que dica tens para as pessoas lá fora que também têm vontade de entrar no jornalismo de sneakers ou de se tornarem influencers?

Ocupem-se da matéria, não sejam precipitados e sobretudo arranjem tempo para aprender coisas. Muitas pessoas que entram hoje na cena querem de preferência ter tudo de uma vez. Ainda me lembro de tempos em que a cena dos sapatos era muito mais equilibrada e nem toda a gente (eu não excluído) se deixava levar pelo hype. Antigamente usava muitos general releases. Hoje infelizmente menos, isso tem de mudar. E é precisamente esse o problema dos jornalistas jovens, certamente longe de todos, mas de alguns. Só se fala de hype, do que dá cliques no artigo, de que review poderá tornar-se viral. É uma pena e faz com que muitas vezes ótimos general releases desapareçam simplesmente no esquecimento. Arranjem tempo, sondem bem a cena, adquiram uma boa cultura geral sobre a cena e depois podem falar.

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100% Willy Iffland

Por um lado recebes muito amor pelas tuas fotos de outfits, por outro há pessoas que te acusam de só alimentares o hype atual, sem teres um estilo próprio. Como lidas com isso e qual é a tua posição perante essas acusações?

Bom, dizer que eu não teria um estilo próprio é uma parvoíce completa. Isso sabe-o também qualquer pessoa que me siga verdadeiramente por convicção. Neste game há inúmeras pessoas que se poderiam enumerar, que copiam de forma evidente e 1:1 as poses, os fits, as captions e sei lá mais o quê de outros. Eu não faço nada disso. Tudo o que faço sai da minha cabeça. Quando vou buscar inspiração a outras pessoas, menciono-as naturalmente também no fit. Claro que faço muito pelo hype, como já referi acima, mas também me deixo contagiar por ele e compraria isso na mesma se não tivesse um canal de Instagram com 91K seguidores. Para mim isso não faz diferença nenhuma. Por isso, as acusações de eu não ter estilo próprio afasto-as tranquilamente com um sorriso, o que naturalmente não quer dizer que não aceite críticas justificadas. (sorri)

Vamos aos teus top 3 sneakers de sempre e top 3 sneakers atuais. De sempre:

Jordan 12 Taxi, adidas Yeezy Bost 350 Turtle Dove, adidas Ultra Boost 1.0 Key City. O Jordan, porque foi o meu primeiro sneaker. O Yeezy, porque foi o primeiro design que me deixou mesmo de boca aberta. E o UB por causa da funcionalidade e do dia a dia.

Atuais: Tom Sach Mars Yard, Air Jordan UNC Off White, Sean Wotherspoon 97/1 Hybrid.

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photos: Willy

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Amadeus Thüner

Amadeus trabalha em uma grande agência de PR e é apaixonado por tênis (sneakers) há muito tempo. Como redator freelancer, apresentador e autoproclamado “fuzzi da mídia”, ele também trabalha para diversas revistas ou plataformas, como a Tätowier Magazin, ou ainda para a Red Bull Music.