Highsnobiety x adidas Collaboration - Entrevista com David Fischer

Pascal Prehn · 06.04.2016 · Atualizado a 05.04.2020 · interviews

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Na nossa mais recente entrevista conversámos com o David Fischer, fundador da Highsnobiety, sobre a collabo da Highsnobiety com a adidas. David, parabéns pela tua segunda collabo de sneakers de sempre. Depois da Puma, agora a adidas. Como é que isso aconteceu? Tecnicamente é a nossa terceira, trabalhámos num pequeno projeto de colaboração com o Ronnie Fieg há muitos anos. Na altura foram umas asics GEL-Lyte 3. Mas em maior escala é a nossa segunda e obrigado pelas palavras simpáticas. Abordámos a adidas há algum tempo para fazer algo para o nosso 10.º aniversário e a equipa da adidas Consortium ficou logo entusiasmada por trabalhar connosco nesta ocasião especial. Porque é que escolheram estes dois modelos? Ao início eu queria fazer as adidas UltraBoost e as adidas Stan Smith. Mas como as Stan Smith tinham acabado de ter uns anos bem fortes, optámos pelas Campus 80s. Adoro estas silhuetas vintage da adidas, porque estão entre as sneakers mais intemporais. Queria mesmo que o pack falasse tanto do nosso passado como do nosso futuro. De certeza que vou usar estas duas durante mais uma década. As Ultraboost são agora um modelo de hype, sobretudo depois de o Kanye as ter usado várias vezes. Quando começaram a trabalhar nelas, conseguias imaginar que se iria tornar um modelo com tanto hype? De todo. Quer dizer, adorei-as desde o dia em que saíram. Não só por causa do design, mas também por causa do conforto. A maioria das pessoas tende a esquecer-se de que os sapatos têm tempos de produção muito longos, por isso começámos a trabalhar neste projeto há mais de um ano. Nessa altura as Boost já eram um sapato muito amado, mas não tinham nem de perto tanto hype como têm agora. Depois de o Hikmet Sugoer ter deitado cá para fora as suas Ultraboost em cinzento há duas semanas, os preços do lançamento geral em cinzento, agora ´esgotado`, também subiram no ebay. Porquê? O cinzento é o novo „triple black“ ? Sinceramente, não faço ideia. Pessoalmente não olho nada para os preços do eBay nem para os preços de resell.

Porquê as Campus? Sou simplesmente, de forma geral, um grande fã dessas silhuetas da adidas. Pessoalmente uso muito as Campus, bem como as adidas Gazelle e as Stan Smith. O design simples e a natureza intemporal do estilo sempre me atraíram.

Qual foi a inspiração para os sapatos em geral? A minha principal preocupação era mantê-los intemporais. São mesmo os detalhes que os tornam especiais. As Campus vêm num couro de luva cinzento-claro que nunca antes tinha sido usado no sapato. Um bonito forro de couro tan em contraste e um branding discreto. As Boost vêm numa malha de lã taupe, que é simplesmente magnífica, e somos os primeiros a usar uma cage em couro no sapato. Queria usar materiais de luxo em sapatos desportivos em cores intemporais. É tudo, não há mais nem menos história do que isso!

Qual é a importância, para ti, de haver uma história para contar? Acho que depende de quão forte é a história. Se a história é ótima, então claro que torna o projeto muito mais forte. Mas não acho que tenha de haver uma história sempre e para cada sapato. De quantos samples precisaram e como foi trabalhar nestes dois modelos diferentes ao mesmo tempo? Tivemos dois conjuntos de samples das sneakers. A adidas apoiou-nos imenso no processo de design. Estão habituados a trabalhar com pessoas que não são designers de sapatos. O processo foi bastante direto e na verdade só tivemos de corrigir alguns pequenos detalhes depois da primeira ronda. Como foi trabalhar com um grande player como a adidas? Sinceramente, foi mesmo fácil. Nada complicado, trabalhámos com um pequeno grupo de pessoas que nos apoiou muito bem no projeto. Fiquei surpreendido com a facilidade com que correu. Quando se fala de collabs hoje em dia, a maioria delas vende-se sem ter uma história específica. O que pensas das atuais tendências de sneakers no que toca a collabs? Sabes, nem todas as sneakers precisam de uma história. E porque é que hoje todas as sneakers também têm um nome? Lembro-me do tempo em que havia uma sneaker e ela tinha um colorway. Se fosse forte, vendia. É incrível ver a quantidade de colaborações que há hoje em dia e quantas delas também se vendem no retalho. Sobretudo tendo observado de perto e escrito sobre este mercado durante mais de 10 anos, é claro que é ótimo ver até onde o mercado chegou. Parece de facto um bocadinho demais nos dias que correm e claro que me pergunto durante quanto mais tempo é que isto pode continuar. Por falar em collabs. Qual foi até agora a tua collab da adidas preferida, sem contar com a vossa? Em geral? Isso é mesmo difícil, porque houve bastantes. Neste momento até me vejo mais entusiasmado com os lançamentos in-line. Sinceramente continuo a adorar as antigas colaborações com a BAPE. Gostei mesmo dos projetos recentes da Solebox, achei aquilo inteligente e bem desenhado. Achas que estas collabs de loja x marca, revista x marca alguma vez vão acabar? Não acho que vão acabar, mas vão voltar a ser menos. Há mais planos para trabalhar em outerwear e vestuário? Sim! Temos mais umas quantas coisas a caminho, todas a serem lançadas nas próximas semanas. Outro projeto de sapatos, um projeto de acessórios e também um projeto de óculos. Depois as coisas deverão voltar a acalmar um bocadinho, mas adoramos mesmo juntar-nos a marcas, artistas e simplesmente amigos para trabalhar nestas coisas. Traz a nossa marca para o mundo real, o que é mesmo entusiasmante. O que mais podemos esperar da Highsnobiety? O vídeo é um grande foco para nós este ano, por isso fiquem atentos a muito mais coisas nessa área. Também acabámos de lançar um podcast, uma série de mixtapes com DJs de alto nível e sessões de Facebook Live. Estamos a tentar manter-nos ocupados!

Obrigado!

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