Highsnobiety x adidas Collaboration - Entrevista com David Fischer

Porquê as Campus? Sou simplesmente, de forma geral, um grande fã dessas silhuetas da adidas. Pessoalmente uso muito as Campus, bem como as adidas Gazelle e as Stan Smith. O design simples e a natureza intemporal do estilo sempre me atraíram.
Qual foi a inspiração para os sapatos em geral? A minha principal preocupação era mantê-los intemporais. São mesmo os detalhes que os tornam especiais. As Campus vêm num couro de luva cinzento-claro que nunca antes tinha sido usado no sapato. Um bonito forro de couro tan em contraste e um branding discreto. As Boost vêm numa malha de lã taupe, que é simplesmente magnífica, e somos os primeiros a usar uma cage em couro no sapato. Queria usar materiais de luxo em sapatos desportivos em cores intemporais. É tudo, não há mais nem menos história do que isso!
Qual é a importância, para ti, de haver uma história para contar? Acho que depende de quão forte é a história. Se a história é ótima, então claro que torna o projeto muito mais forte. Mas não acho que tenha de haver uma história sempre e para cada sapato. De quantos samples precisaram e como foi trabalhar nestes dois modelos diferentes ao mesmo tempo? Tivemos dois conjuntos de samples das sneakers. A adidas apoiou-nos imenso no processo de design. Estão habituados a trabalhar com pessoas que não são designers de sapatos. O processo foi bastante direto e na verdade só tivemos de corrigir alguns pequenos detalhes depois da primeira ronda. Como foi trabalhar com um grande player como a adidas? Sinceramente, foi mesmo fácil. Nada complicado, trabalhámos com um pequeno grupo de pessoas que nos apoiou muito bem no projeto. Fiquei surpreendido com a facilidade com que correu. Quando se fala de collabs hoje em dia, a maioria delas vende-se sem ter uma história específica. O que pensas das atuais tendências de sneakers no que toca a collabs? Sabes, nem todas as sneakers precisam de uma história. E porque é que hoje todas as sneakers também têm um nome? Lembro-me do tempo em que havia uma sneaker e ela tinha um colorway. Se fosse forte, vendia. É incrível ver a quantidade de colaborações que há hoje em dia e quantas delas também se vendem no retalho. Sobretudo tendo observado de perto e escrito sobre este mercado durante mais de 10 anos, é claro que é ótimo ver até onde o mercado chegou. Parece de facto um bocadinho demais nos dias que correm e claro que me pergunto durante quanto mais tempo é que isto pode continuar. Por falar em collabs. Qual foi até agora a tua collab da adidas preferida, sem contar com a vossa? Em geral? Isso é mesmo difícil, porque houve bastantes. Neste momento até me vejo mais entusiasmado com os lançamentos in-line. Sinceramente continuo a adorar as antigas colaborações com a BAPE. Gostei mesmo dos projetos recentes da Solebox, achei aquilo inteligente e bem desenhado. Achas que estas collabs de loja x marca, revista x marca alguma vez vão acabar? Não acho que vão acabar, mas vão voltar a ser menos. Há mais planos para trabalhar em outerwear e vestuário? Sim! Temos mais umas quantas coisas a caminho, todas a serem lançadas nas próximas semanas. Outro projeto de sapatos, um projeto de acessórios e também um projeto de óculos. Depois as coisas deverão voltar a acalmar um bocadinho, mas adoramos mesmo juntar-nos a marcas, artistas e simplesmente amigos para trabalhar nestas coisas. Traz a nossa marca para o mundo real, o que é mesmo entusiasmante. O que mais podemos esperar da Highsnobiety? O vídeo é um grande foco para nós este ano, por isso fiquem atentos a muito mais coisas nessa área. Também acabámos de lançar um podcast, uma série de mixtapes com DJs de alto nível e sessões de Facebook Live. Estamos a tentar manter-nos ocupados!Obrigado!
photos: Overkill