RCKZ Sneakerbox em entrevista

Florian e Björn, dois designers de produto de Hamburgo, juntaram por necessidade as suas cabeças criativas & criaram as caixas para sapatilhas RCKZ - fiquem aqui a conhecer a história toda:
Como é que vos surgiu a ideia de desenhar e vender caixas para sapatilhas?
Antes de mais, talvez seja preciso dizer que adoramos desenvolver boas ideias. Foi por isso que fizemos disso a nossa profissão. Defendemos este Way of Life já há alguns anos.
Mas a RCKZ não é uma ideia entre muitas, é também para nós uma ideia especial: é o nosso primeiro produto para o comércio e o primeiro projeto que concretizamos 100% por nossa conta e risco.

Que pudesse existir um mercado para uma melhor solução de arrumação de sapatilhas não nos ficou claro de um dia para o outro, fomos crescendo dentro disso. Quando o Flo começou a mergulhar na cultura das sapatilhas e a aparecer no escritório com sapatilhas NIKE sempre novas, o problema quase se impôs por si.
Trocámos impressões com colecionadores nossos amigos e constatámos que não eram muitos os que estavam satisfeitos com as suas caixas para sapatilhas, se é que sequer tinham alguma. Eram apenas um meio para atingir um fim.
Com a RCKZ conseguimos pôr as sapatilhas em cena e não apenas arrumá-las.
Qual é o vosso background? Primeiro entusiasmaram-se por sapatilhas ou interessaram-se por design?
Primeiro a RCKZ foi um projeto de design de iniciativa própria para um mercado que achámos muito entusiasmante.
Porque ali as coisas são dinâmicas e criativas e, de alguma forma, "ganglike". Em termos de estilo, claro que sempre estivemos presentes :) — mas um pouco longe de passar por verdadeiros hipsters. Usávamos Jordans, sapatilhas handmade de São Francisco, mas ao início não tínhamos propriamente a coleção mais brutal do mundo para mostrar.
Mas assim que partilhámos os primeiros esboços no Instagram, isso despertou em nós um novo entusiasmo. Os primeiros sneakerheads envolveram-se com os nossos esboços, deram feedback sobre os nossos progressos.
Começou assim uma troca fixe, marcada por respeito e entusiasmo, que celebramos imenso. Pensámos então: talvez fosse boa ideia dar no futuro mais prioridade à RCKZ do que o planeado.
Quanto tempo de trabalho investiram no desenvolvimento do design e como financiaram esta fase inicial?
Do primeiro esboço, passando por dois protótipos, iterações de design e a construção das ferramentas, até às primeiras amostras da produção industrial, isso custou-nos cerca de um ano de trabalho.
Até o design funcionar para uma produção industrial, tivemos além disso de investir mais em investigação & desenvolvimento do que o planeado. Tanto os custos próprios como os custos externos são até agora financiados por nós, os dois únicos sócios, com meios próprios.
A inovação neste projeto está no facto de um design tão complexo nunca ter sido produzido da forma como nós o queríamos. Isso, por um lado, ajudou-nos a encontrar um produtor que sentiu praticamente vontade de enfrentar um desafio — e que provavelmente por isso o aceitou; por outro lado, foi sempre claro que o projeto podia falhar a qualquer momento… porque nos ia faltar o dinheiro antes de atingirmos a maturidade de produção, ou porque simplesmente se ia verificar que o design nunca poderia tornar-se produzível assim.
No fim de contas, devemos a concretização à nossa fé ingénua na coisa, a uma certa persistência e à nossa confiança básica nas outras pessoas.
A nossa produção é especializada em pequenas séries, é isso que torna a coisa possível. Ainda assim, o preço de venda de 35.- EUR não é um preço “verdadeiro”, mas sim um preço subsidiado por nós. Uma margem comercial normal duplicaria facilmente o preço de uma caixa para sapatilhas, ou até o triplicaria. Mas claro que sabemos: mesmo que agora tenhamos provavelmente o melhor produto do mercado, isso não faz dele automaticamente a melhor oferta. Contra isso agimos sem dúvida: enquanto for preciso e nos for possível, empurramos o preço para baixo.
A 35.- euros temos uma procura muito boa, com a qual podemos por agora trabalhar e, esperemos, crescer depressa o suficiente para reduzir os nossos custos por unidade.
No vosso canal de IG @RCKZ__ aparecem não só imagens de produto e de sapatilhas, mas também mood pics e impressões de design. Quem ou o que vos inspira no processo de design?
Seja Bauhaus, Takashi Murakami, Virgil Abloh, Bowie ou artistas underground. Celebramos muitos artistas e criadores das mais variadas áreas e épocas — o Instagram é mesmo nice.
Têm como objetivo continuar a comercializar a RCKZ?
Sim. Neste momento sim. Além disso concebemos e organizámos tudo de forma a podermos concretizar edições especiais, por exemplo colorways, designs adicionais e ações de marketing para cooperações com parceiros e marcas. Muitas possibilidades!
A RCKZ deve continuar a ser uma marca "Direct-to-Consumer" ou as caixas para sapatilhas vão em breve poder comprar-se em lojas de sapatilhas locais?
Sabemos que a Rckz convence ainda mais quando se consegue ver e tocar realmente no produto. No nosso primeiro pop-up comprou toda a gente que lá foi por causa do produto. Por isso é já um objetivo chegarmos ao comércio.
Até agora a maior procura vem da área privada, partindo de fãs que acompanham o nosso percurso desde o início. Temos uma mão-cheia de stockists e donos de lojas estrangeiros que estão neste momento a testar a aceitação dos nossos produtos nas suas próprias lojas e no seu próprio marketing online. Estamos neste momento a negociar com lojas alemãs selecionadas e estamos além disso a preparar uma primeira cooperação com uma marca.







Ficaram esgotados logo a seguir ao primeiro drop - como vão gerir isso no futuro? Prestam atenção à limitação das quantidades ou é que não conseguem acompanhar a produção?
Como ainda somos autofinanciados, trata-se na verdade sempre de conseguirmos suportar o projeto neste momento e, ao mesmo tempo, atender cada cliente com atenção, enquanto descobrimos o que é que isso significa exatamente.
Com cada drop aprendemos mais e conseguimos, em conjunto com a produção, construir um serviço cada vez melhor, capaz de processar encomendas maiores de forma satisfatória.
Por isso, de momento preferimos produzir um produto a menos do que um a mais. Assim evitamos também custos de armazenamento demasiado altos e pré-financiamentos demasiado elevados.

Quem são os vossos clientes? São exclusivamente sneakerheads?
Os nossos primeiros clientes são verdadeiros sneakerheads e já o eram quando isto ainda não era hype. Disso estamos orgulhosos e gratos. Em termos de marca, achamos também bastante nice que atraiamos igualmente hypebeasters e que sejamos apoiados por eles – as nossas caixas são publicadas com muito orgulho.
A terceira área, o design de interiores, só agora começa a desenhar-se. Vamos responder a alguns pedidos e colocar as caixas, a título experimental, em lojas de interiores badaladas.
No fim de contas estamos simplesmente felizes por haver pessoas com um fraquinho por estética e design que celebram as caixas, independentemente do sapato que calçam.
Quando está previsto o próximo drop RCKZ?
Sábado, 17 de agosto de 2019. Online em rckz.de

Obrigado pela entrevista e continuação de muito sucesso! Adoramos as caixas para sapatilhas!
Credits: RCKZ, @sneakerkollo, @mooe_so, @themoldernway

