A Nike muda de liderança | O CEO Mark Parker demite-se

Marcus Wessel · 23.10.2019 · Atualizado a 28.02.2021 · news

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Mark Parker passa o testemunho a John Donahoe

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Mark Parker chegou à Nike em 1979 como designer - Foi CEO da Nike durante 13 anos (desde 2006)[/caption]

É o fim de uma era. Depois de 13 anos à frente da Nike, Mark Parker vai deixar o cargo de CEO. O homem de 64 anos continua, no entanto, intimamente ligado ao Swoosh, até porque continua a exercer a presidência do conselho de administração (Board of Directors). No entanto, ficará um pouco mais afastado do dia a dia da gestão do que até agora. Antes de Parker ser nomeado CEO da Nike em 2006, sucedendo assim ao lendário Phil Knight, já contava com mais de duas décadas na empresa. Na altura, já sabia, portanto, bastante bem o que o esperava como chefe do maior fabricante de artigos desportivos do mundo.

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Novo CEO da Nike, Jon Donahoe - antigo CEO da ServiceNow[/caption]

Também o sucessor de Parker não é um desconhecido em Beaverton. John Donahoe está no Board of Directors desde 2014 – praticamente ao lado do ainda CEO Parker.Ele conhece os desafios que a Nike também vai ter de enfrentar. No entanto, o seu percurso profissional é bastante diferente do de Parker, que começou na Nike como designer. Donahoe é um gestor de tecnologia, o que já pode dar uma pista sobre o que a Nike espera dele. Após muitos anos na consultora Bain Capital, assumiu em 2005 a liderança da eBay, onde tomou também decisões importantes no serviço de pagamentos entretanto separado, o Paypal, transformando-o num pioneiro tecnológico. Mais recentemente, Donahoe esteve empregado na empresa de cloud computing ServiceNow – também como CEO.

Vai a Nike tornar-se uma empresa tecnológica?

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Vai a Nike introduzir uma nova estratégia digital com a mudança de liderança?[/caption]

Os observadores interpretam a nomeação de Donahoe também como um indício de que a Nike se está a tornar cada vez mais uma empresa tecnológica, que pretende aproveitar ainda mais as vantagens da digitalização. A expansão da oferta digital (apps), bem como uma interação mais estreita com os clientes, da qual se podem obter novos conhecimentos através de big data, deverão estar bastante no topo da agenda de Donahoe. Donahoe vai também reforçar a expansão dos canais de venda digitais. Uma estratégia semelhante é, aliás, seguida também pela concorrente adidas, para grande desagrado de muitos retalhistas e pequenas sneaker stores, que ficam com uma fatia cada vez menor do bolo e sofrem uma pressão crescente. Da perspetiva da Nike, esta priorização do próprio canal de distribuição é, no entanto, apenas coerente. Com ela, conseguem-se, no final, margens mais elevadas.

O contributo criativo que Parker deu dificilmente será de esperar por parte de Donahoe. Nesse aspeto, ele deverá confiar totalmente nas suas equipas de design. Tomando como referência a evolução dos últimos meses, a Nike parece estar, no entanto, no caminho certo. Poderá ser mera coincidência que a concorrente da Nike, a Under Armour, tenha anunciado praticamente ao mesmo tempo uma mudança na liderança do grupo. Lá, o fundador Kevin Plank vai deixar o cargo de CEO na virada do ano. No passado, houve várias vezes rumores de que a Nike poderia estar interessada numa aquisição da Under Armour. Se estas especulações voltarão a surgir sob a nova equipa de liderança é algo que está em aberto.

Credits: Nike

Marcus Wessel

Marcus Wessel

Marcus Wessel vive e trabalha como redator freelancer em Colônia. Ele faz parte da cena sneaker há mais de 20 anos. Desde 2012 ele mantém o blog Sneakerzimmer, que trata dos temas tênis e viagens. Ele acumulou experiência jornalística em diversos veículos impressos e online. Sua paixão por sneakers remonta aos anos 90 e a modelos como o Nike Air Max 1 e, mais tarde, o Asics Gel-Lyte III. Sua cidade favorita é Nova York e seu hobby preferido é o cinema.