"A escolha das sneakers é muitas vezes o motivo dos meus atrasos" - Eskei83 em conversa

Quando se fala de cultura DJ na Alemanha, há um nome que não pode faltar: Eskei83.
Eskei83. Em conversa.

Como octocampeão de DJ Battles e Red Bull Thre3Style World Champion, o Sebastian König já conseguiu arrecadar alguns títulos. Fora das suas battle routines, o simpático natural de Dresden também está em casa nos clubes e nos palcos de festivais deste mundo, para aquecer devidamente um povo com sede de festa. E para que entre concertos e grandes cidades não se torne aborrecido, o artista de 34 anos naturalmente também produz.
"Sobretudo nos últimos meses produzi tanto como nunca antes e isso vai também ouvir-se no próximo mix e nos meus live sets."
Falámos com o inquieto músico sobre os seus hits preferidos do momento, o seu empenho contra a extrema-direita e o seu amor pela marca das três riscas.

"Este ano ainda vai acontecer muita coisa!"
Conta-me algo sobre o teu novo single "Make The Record Skip". Parece que é baseado em factos verídicos, não é?
(ri-se) É verdade! Quem conhece os meus DJ sets em clubes e festivais sabe que acontece pelo menos uma vez por noite a agulha saltar no gira-discos. Toco tunes muito carregados de baixo e as pessoas devolvem-me uma energia tão brutal, saltam, fazem pogo, passam-se em mosh pits, que muitas vezes se torna difícil tocar as faixas. Veio-me então de alguma forma a ideia de fazer algo positivo a partir dessa situação, que ao início até me irritava imenso, porque no fundo é claro que é nice quando as pessoas se passam assim. "Make The Record Skip" é praticamente um DJ set do Eskei83 em 2 minutos de duração para o Spotify, incluindo salto de agulha, ou seja, um autêntico bombardeamento de baixos, com elementos de scratch de DJ e o som típico de uma agulha a deslizar sobre o disco de vinil.
Este ano já tocaste em imensos shows e festivais. Que situação te ficou especialmente na memória?
Os meus top 3 shows deste ano foram na Rússia, nos EUA e, claro, na Alemanha. Na Rússia toco todos os anos no Newstar Camp em Sochi, um camp de snowboard com uma data de gente maluca. Antes de mim tocaram Afu-Ra e Jeru The Damaja - lendas do hip-hop old school, de quem há uma eternidade não ouvia falar. Estava céptico quanto a subir ao palco com os meus bass tunes logo a seguir aos beats old school, mas as pessoas estavam mesmo ready.
Nos EUA toquei este ano no festival SXSW em Austin, no Texas, um showcase ao início da noite - ao ar livre, na esquina de uma rua. Ali foi um autêntico estado de exceção, as pessoas estavam tão coladas umas às outras como num Boiler Room, a rua inteira ficou fechada, a área ao ar livre completamente à pinha e um ambiente que nunca tinha vivido assim nos EUA. Uma loucura.
Na Alemanha também houve alguns pontos altos este verão. Tocar no Splash! na quinta-feira no palco principal foi um deles. Mas também tocar no World Club Dome em Frankfurt e no Sonne Mond & Sterne Festival na mesma tenda que o Boys Noize me deixou mega feliz.
Também te empenhaste contra a extrema-direita no festival #WirSindMehr.
Cresci em Dresden e nos arredores. Ou seja, venho da Saxónia. Por isso conheço os problemas com a direita desde a juventude. Que cada vez mais pessoas moderadas se juntem às organizações de extrema-direita, ou se coloquem lado a lado com elas na rua, é algo que observo há muito tempo com grande preocupação. Em Chemnitz houve depois o grande rebentamento e fico contente por se ter dado logo um sinal contra isso e por não terem passado meses, como em Dresden, até alguém se opor aos extremistas de direita. Gostei que a cidade de Chemnitz também tenha apoiado logo ativamente a iniciativa. O concerto foi uma boa coisa, juntou muita gente e também levou muita gente a pensar. Eu próprio ainda fui tocar a seguir num clube - retrospetivamente achei isso um bocado supérfluo - queria dar o meu contributo, mas num DJ set é claro que é difícil falar às pessoas e explicar-lhes o que está em causa. As pessoas estavam mais paradas a conversar - isso achei bom. A troca entre as pessoas foi o mais importante nesse dia. Mas não deixei de tocar o meu pequeno mini set contra os nazis e a Pegida, coisa que aliás faço em quase todos os gigs.
Highfive por isso! Que outros planos tens para o último trimestre do ano?
O ano ainda está cheio até acima! Acabei de publicar o meu calendário de tour "Make The Record Skip" e além da Alemanha há também a África do Sul, o Líbano, a França, a Inglaterra, a Eslováquia, o Azerbaijão e a Rússia. A seguir ao meu novo single sai logo um DJ mix com o mesmo nome na Apple Music e esse inclui os próximos lançamentos que aí vêm. Entre outros, um remix oficial para os What So Not e um remix para o RL Grime, bem como novas faixas com o Jimmy Pé e o Sterio, que por exemplo também produziu "Supernova" para o Marteria e o Casper. Na editora Crispy Crust temos planeado para novembro um novo lançamento do Karol Tip com a Josie von Claire. A faixa chama-se "Trouble" e na minha opinião é a melhor faixa de sempre do Karol.

"Vejo muitas vezes DJs a fazer qualquer coisa técnica, mas o sentido escapa-me. O que é que me queres dizer? Onde está a componente musical?"
Que músicas já fazem parte do teu top 5 do ano?
Se falarmos de rap alemão, claramente "Adrenalin" do Casper e do Marteria - é um autêntico murro e curto aquilo à brava. Musicalmente o que mais me inspirou foi o álbum "All The Beautiful Things" dos What So Not. Tinha-o contratado para o meu evento "Goodies" em Dresden no início do ano e nessa altura já tinha ouvido antecipadamente algumas faixas. O álbum é uma autêntica loucura. "Be Ok Again" é a minha favorita. A faixa que mais gosto de tocar neste momento é "Hey Bo!" do Troyboi. Além disso fico muito contente com o sucesso do meu colega Marten Hørger, de Estugarda, que juntamente com o Neon Steve fez com "You Don't" um hit absoluto na área do house. Os meus sets deste verão comecei-os muitas vezes com "Olé" do Dabow e "The Drop" do Gammer. Já foram 6 músicas. (sorri)
Fair enough. O que faz uma boa DJ routine para o Eskei83?
Essa é uma boa pergunta, que me fazem muitas vezes. Acho que tem simplesmente de ir direta ao assunto. Vejo muitas vezes DJs a fazer qualquer coisa técnica, mas o sentido escapa-me. O que é que me queres dizer? Onde está a componente musical? Se não me soa bem, não avança ou não tem um conteúdo mais profundo, as routines técnicas aborrecem-me muito depressa. No clube deve ser sobretudo discreto, super limpo e acima de tudo dançável. Se for demasiado picado, mata o vibe de qualquer festa.
Antigamente havia muito mãos no ar da esquerda para a direita, hoje os moshpits durante shows e festas de hip-hop são a normalidade. O que achas dessa evolução?
Pessoalmente curto totalmente essa energia! Se as pessoas têm vontade de se passar, então que o façam e que o tenham. O que não me agrada tanto é que a maioria dos artistas hoje em dia, em cada música, mande as pessoas fazer qualquer coisa: toda a gente tem de se baixar, toda a gente tem de saltar, agora vamos fazer mosh pit e depois ainda a obrigatória foto da crowd no final do gig, com toda a gente a esticar as mãos para o céu. É preciso ter cuidado para que isto não se torne uma feira popular. Estive há pouco tempo de férias em família com os meus miúdos e eles queriam ir todas as noites à disco infantil. Os animadores lá faziam exatamente a mesma coisa. Isso deu-me muito que pensar. (ri-se) Por isso é que entretanto voltei a usar o micro bastante menos. Há umas semanas tive um gig em que antes de mim tocou uma lenda do rap alemão com o seu DJ. Na última faixa também mandou as pessoas fazerem um mosh pit, mas o ambiente estava assim-assim e claro que correu redondamente mal, porque as pessoas simplesmente não estavam com essa onda. Isso acho mesmo embaraçoso. O que me toca muito mais são os sets do Boys Noize. Ele sobe ao palco, toca o seu set sem mais nem menos e ali é abanar à grande. A crowd faz tudo sozinha, sem que ele tenha de apelar a nada. Isso tocou-me mesmo.
Como é que alguém deve estar quando vai a um show do Eskei83?
Dá-me imenso gozo ser colocado perante desafios, por isso também fico contente com cada gig e cada DJ battle. Já ando nisto há um bom tempo e já andei por muito lado, por isso de alguma forma já vivi tudo. (ri-se) Não é preciso ser-se especial de alguma maneira para se divertir nos meus sets, basta entregar-se a isso e também se pode aqui e ali ouvir com um pouco mais de atenção o que é que eu ali estou realmente a fazer. Muitas vezes as transições entre as faixas também têm uma mensagem um pouco mais profunda, que numa festa não se apanha necessariamente quando já se levaram duas ou três cervejas. Ficaria muito contente se ainda mais gente ouvisse as minhas faixas no Spotify e na Apple Music, para não ser rotulado apenas como DJ. Sobretudo nos últimos meses produzi tanto como nunca antes e isso vai também ouvir-se no próximo mix e nos meus live sets.

"Chego muitas vezes quase atrasado ao avião, porque não me conseguia decidir que sneakers levar e que parte de cima combina melhor com elas."
Passemos ao tema streetwear e sneakers. O teu estilo é desportivo, como se sabe tu e a adidas também são bons amigos. O que é importante para ti no teu outfit?
Gostava que me fosse tudo mais indiferente, mas infelizmente não é. Chego muitas vezes quase atrasado ao avião, porque não me conseguia decidir que sneakers levar e que parte de cima combina melhor com elas. O que mais gosto de usar são t-shirts de manga comprida, hoodies, jeans ou sweat pants. Padrões de camuflado agradam-me mesmo muito. Os meus outfits em palco e no dia a dia são os mesmos. Aí não faço diferença. A coleção da Alexander Wang com a adidas conquistou-me a sério.
Speaking about adidas: que silhueta agrada especialmente ao Eskei83 este ano?
As Yung-1 são as minhas favoritas absolutas. Comprei logo os dois primeiros colorways. As Cloud White ainda não, mas hão de vir. Infelizmente são mesmo difíceis de limpar. A malha à frente suja-se depressa e não é assim tão fácil como nas Prime Knit, que se limpam simplesmente com água. O Kanye, por outro lado, já não me conquistou tanto. As Yeezy 500 pretas parecem os sapatos de trabalho do meu pai, com que ele vai para a obra. Em Desert Rat ficam dope, mas o preço no resell é simplesmente demasiado alto para mim. Também as Wave Runner não me conquistaram assim tanto. Mas o que gosto mesmo de usar, apesar de não serem de todo umas sneakers raras, são as adidas Prophere. Tenho-as logo em três Colorways.
E as tuas top-5 sneakers de sempre?
adidas NMD R1 "Nice Kicks" - curto imenso este design batik. Sobretudo foi um dos primeiros lançamentos Consortium em que as NMD ainda não estavam tão espalhadas pela massa. Tenho muito orgulho nelas e perguntam-me muitas vezes que sneakers são aquelas quando as uso. Depois as adidas Ultra Boost uncaged Solebox - as Ultra Boost são umas das minhas favoritas absolutas e as cores da collabo são tão dope. O sapato valoriza brutalmente qualquer outfit. As Yeezy 350 V2 uso muitas vezes em diversas cores. Como DJ ando muito em tour e não posso levar vários pares de sapatos. Tem uma sola Boost, mas o Boost não se pode sujar, como acontece nas Ultra Boost. São autênticas Beater, que depois metes simplesmente na máquina de lavar e a seguir ficam quase como novas. As minhas Cream White já passaram por todas as cores imagináveis durante a época dos festivais, mas estão quase outra vez brancas como a neve no armário lá de casa. São intemporais e combinam com qualquer outfit. Mas também tenho uma coleção extremamente grande de Nike Dunk dos meus tempos de hip-hop com t-shirt XXL e boné New Era. As minhas Dunk preferidas são as Dunk High do DJ AM. Essas têm o padrão do Technics 1210 atrás no Heelcap. E umas sneakers da minha infância em que penso sempre são as Rebook Pump Omni Lite do meu primo René. Aquilo era tão dope. Preto e verde e cor-de-rosa néon. Ando há já algum tempo à procura delas...
Eskei83 online:
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photos: Benjamin Diedering / Simon Steinbrecher